Por que Veneza odeia os turistas?

Transatlânticos "invadindo" os canais e o porto de Veneza

A cidade dos canais é um dos grandes destinos turísticos mundiais; uma cidade procurada por quem deseja absorver cultura ou tentar obter algum romance enquanto navega pelas famosas gôndolas.

De modo geral Veneza abre os braços para os turistas, mas com os turistas vêm também alguns negócios que os locais não aprovam nem um pouco.

Recentemente, Veneza proibiu as lanchonetes que vendem Kebab no intuito de “preservar o decoro e as tradições” da antiga cidade.

Eles também limitaram a venda de pizza em fatias. O secretário de turismo disse que tomaram uma tais medidas drásticas para “evitar o risco de perder a identidade local”.

Agora some a isto a quantidade brutal de gente caminhando por uma cidade alagada (com pouco e frágil solo), gôndolas e lanchas navegando por canais antes agitados (antes calmos).

Agora note a foto a seguir:

Transatlântico MSC Preziosa "invadindo" o canal da Giudecca em Veneza

Transatlântico MSC Preziosa “invadindo” o canal da Giudecca em Veneza

Percebeu o tamanho do problema?

A “invasão” de Veneza em números alarmantes

  • O Porto de Veneza é o 8º maior da Itália e um dos mais importantes da Europa e o maior do Mediterrâneo.
  • Anualmente passam pelo porto cerca de 30 milhões de toneladas em cargas
  • Por ano chegam mais de 1,5 milhões de passageiros (catamarãs e cruzeiros).

Tudo isto numa cidade antiquíssima, com 60.000 habitantes, coberta por 177 canais, 400 pontes e 118 ilhas.

As campanhas de ambientalistas preocupados com Veneza já vêm de longa data mas, desde o acidente (e escândalo) do navio Costa Concórdia em 2012, as autoridades decidiram evitar a entrada no Porto de Veneza de grandes navios (com mais de 10 decks de altura).

O resultado? O porto de Veneza começou a perder pedidos. O número de transatlânticos de passageiros caiu cerca de 10% em 2017 – de 529 em 2016 para 470 (perda de 1,4 milhão de visitantes, o que levou a uma perda considerável de renda na cidade).

O que pensa o povo de Veneza

Em junho de 2017, mais de 18 mil venezianos votaram num referendo não oficial sobre a proibição de grandes navios de cruzeiro que navegam perto da Praça de São Marcos. Os ativistas criaram um total de 60 postos de votação, onde 17.874 cidadãos votaram para expulsar os navios que produzem ondas que agitam as bases de madeira da cidade.

Uma rota alternativa
Em setembro de 2017, três das maiores companhias de cruzeiros do mundo (Carnival, Royal Caribbean e MSC) realizaram simulações de embarque em grandes navios navegando na rota do canal Vittorio Emanuele III (Stazione Marittima) como uma alternativa proposta para a rota proibida do canal da Giudecca.

E você de que lado está: do comércio e do turismo ou dos moradores? Diminuir a entrada de grandes transatlânticos em Veneza resolve o problema ou cria outros?

Deixe seu comentário e vamos tentar entender o assunto juntos.

Um comentário

Osvaldo Fresnedas
Fevereiro 25, 2018
Sou favorável aos moradores, o fluxo das grandes embarcações está comprometendo e aos poucos dia a dia o sistema ecológico e natural dos canais, inclusive já exite pesquisas que falam até de uma catástrofe se assim continuar, deve-se preservar a história a cultura desse lugar que amei demais em conhecer, lá até o ar que você aspira traz uma sensação de vida,glamour,romantismo, cultura e um monte de coisas boas. Vamos preservar.
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